O paraense, Miami e o imóvel que pode ser uma fria

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Passada a eleição presidencial, ainda está muito presente em muitos grupos de amigos a irresistível ideia de deixar o Brasil e o caminho para Miami e Orlando na Flórida parece irresistível.

Em primeiro lugar pelo voo direto que permite ir e vir com mais facilidade. Depois porque a presença de brasileiros e do português como a segunda língua do estado americano da Flórida podem tornar a adaptação menos traumática e, por fim, por que o preço dos imóveis parece irresistível.

O metro quadrado do imóvel novo, em casa de condomínio fechado com toda a segurança e a comodidade do estilo de vida americano, chega a custar só 40% ou menos da metade de alguns valores cobrados na capital paraense. Nessa matemática simplória, virou quase uma obrigação ter a casa própria em terras americanas, como se isso fosse o melhor negócio do mundo.

É mais um conto, em que o vendedor fala do lado bom do negócio, mas esquece de dizer que também existe um outro lado que precisa ser considerado. O primeiro detalhe nesse negócio imperdível é que um negócio barato, que lhe custe caro, não é um bom negócio. E Miami e Orlando, por mais que pareçam fáceis de entender, estão longe do mundo encantado da Disney.

Esqueça a ideia de comprar para revender. Talvez em 2008, quando a bolha estourou e os preços caíram até 90%, isso fosse uma realidade. O problema era ter coragem de desembolsar míseros dólares no meio do tiroteio financeiro. Hoje o mercado já se recuperou e o grande número de ofertas deixou o negócio lucrativo de venda e compra nas mãos somente dos especialistas.

Vai comprar para ter uma casa por lá? Antes faça as contas. Apesar do custo de vida ser menor, quando se trata de despesas como luz, supermercado ou escola pública que funcione, os impostos americanos vão incidir sobre sua aquisição anualmente. E lá, diferente de algumas situações tupiniquins, não tem jeitinho. Vai pagar ou perde o bem. O que se aplica também a quem vai financiar a perder de vista e atrasar a parcela.

Comprar para alugar o imóvel por temporada também é arriscado. É cada vez mais comum a história de brasileiros que compram, vão uma ou duas vezes por ano usar a casa e têm tido problemas na relação com quem administra o aluguel. Como o dono está longe, o controle acaba sendo muito difícil, considerando que você passa uma procuração para que o corretor faça tudo em seu nome.

Um último detalhe que poderia passar despercebido. Os Estados Unidos têm um dos mais altos impostos ‘Causa Mortis’ do planeta, aquele imposto que incide em caso de inventários. Ou seja, se você passar desta para melhor, saiba que quase a metade do bem vai ficar na mão do governo a título de tributo. Para minimizar isso, a solução é abrir uma empresa e deixar o imóvel na propriedade da empresa que não morre, se é que me entende.

Concluindo, a Disney, a linda, as compras irresistíveis, o sonho americano parece que nunca esteve tão próximo. Mas é bom perguntar muito, não acreditar somente no lado maravilhoso do negócio e, antes de assinar, testar várias vezes esse modelo americano. Ou faz isso ou o sonho corre o risco de virar pesadelo.