Belém: Para onde caminham os preços dos imóveis.

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Nos últimos anos, o mercado paraense, nos rastro do mercado brasileiro de imóveis só viu um caminho para os preços de casas, apartamento e terrenos. Pra cima e sem previsão de baixa. Empresas e proprietários pareciam testar os compradores, estabelecendo a cada novo cenário, um teto mais alto. Aproveitavam o cenário muito favorável, com dólar baixo, juros e facilidades de financiamento imobiliários nunca vistos na história deste país e um componente emocional importante. O brasileiro estava confiante na economia, na manutenção dos empregos, no lucro mais fácil.

O que poucos acreditavam, é que o cenário mudaria tão rápido e de maneira tão radical. Para os observadores mais atentos, era uma questão de tempo, mas nem eles apostavam que seria tão logo. A economia nervosa tem sido uma ducha de água fria em um mercado imobiliário que ainda pratica preços irreais para o cenário vivido hoje.

As construtoras, que chegaram a elevar o metro quadrado a estratosféricos R$ 7 mil ( entenda que não se pode comparar a economia de Belém com a de São Paulo ou do Rio, que tem preços superiores a R$ 20 mil o m2), tem uma equação difícil de resolver. Não podem simplesmente baixar os preços: Pagaram caro pelo terreno, pela mão de obra disputada pela concorrência e pelo Custo Brasil com seus impostos. Além disso, reduzir tabelas neste momento seria dar vasão para os terroristas de plantão que apontam uma bolha prestes a explodir. Que consumidor compraria um imóvel acreditando que no mês que vem, a tabela pudesse estar ainda menor?

Para minimizar os efeitos desse impasse, feirões de imóveis tem sido promovidos com deságio nas tabelas de até 30% para alguns produtos, mas eles não conseguem, em um curto período, passar para frente no ritmo pretendido, o estoque do mercado – aqueles imóveis que estão ficando prontos e não foram vendidos – que não para de crescer. Pior. Com a economia se desgastando, com o dólar explodindo, o endividamento crescendo, pode ficar ainda mais difícil de atingir as metas um dia alcançadas.

Se com os imóveis novos, o problema é grave, com os usados, nem se fale. Dona Maria que tinha uma casa antiga, viu o preço dela ser aumentado na esteira do vinha sendo pretendido pelos imóveis novos. Com os novos precisando ser repensados, quem vai dizer para dona Maria que os R$ 300 mil pretendidos só valem agora R$200 mil? Mesmo porque, para manter os negócios funcionando,  alguns avaliadores se embatem em uma política predatória de avaliar sempre por mais e mais, no intuito de ter privilégio de trabalhar a venda do imóvel. A casa não vende, dona Maria fica insatisfeita, e o mercado não gira. Resultado: Você percebe que a cada dia é maior o número de imóveis com placas de venda ou de aluga, que já padecem pelos efeitos do tempo. O mercado está ficando sem ar.

E para onde caminha este mercado, tão vigoroso até pouco tempo atrás?. Ele busca uma estabilidade. Neste cenário, só quem repensar valores e condições pode, com alguma dificuldade, navegar nesta tempestade. Não existe preço caro ou barato. Existe preço justo e o consumidor está percebendo isso a cada dia, em razão da informação e da oferta. Hoje, ele é assediado por uma dezena de profissionais que oferecem uma opção imobiliária, sem contar com os proprietários que fazem as vozes de corretores. O consumidor é rei e se dá ao luxo de escolher que oferece mais por menos.

Os preços não devem cair muito como sonham muitos, mas esta é a hora de fazer boas propostas, aproveitar que os juros imobiliários ainda não foram contaminados pelo aumento da inflação e fazer o melhor negócio. Atitude com consciência é a melhor estrada a tomar.