Belém: Qual a relação do título da pior qualidade de vida do Brasil com o mercado imobiliário.

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Foto: Salomão Mendes

Foto: Salomão Mendes

A manchete de O Liberal desta quinta feira repercute o resultado da pesquisa feita pelo Observatório das Metrópoles, que colocou a capital paraense no fim da fila quando o assunto é o bem estar do seu habitante. Entre 15 centros urbanos, Belém ficou em último lugar.

Aplicar os dados dessa pesquisa ao mercado imobiliário é algo curioso. Primeiro porque revela distorções difíceis de entender. Depois porque acaba por justificar o porque dos preços variarem tanto de um bairro para outro.

Na primeira questão, não dá pra associar qualidade de vida com a valorização do ambiente onde se vive. Lugares com mais saneamento, saúde, segurança, educação e transporte e espaços públicos tendem a custar mais, porque o comprador do imóvel, disputa com mais afinco, as ofertas que incluam, além do imóvel em sí, o bem estar de viver nele.

Se é assim, e se Belém tem os índices de satisfação mais baixos, porque que existe uma reclamação permanente com relação aos valores cobrados por casas e apartamentos. A lógica indicaria que, o preços deveriam ser menores justamente pela ausência dos serviços básicos como segurança pública e áreas verdes ( esqueça a história de cidades das mangueiras. A população quer mais praças e parques). É essa conta que não fecha.

Mas eu convido o leitor a olhar por outro prisma. Se você observar a pesquisa com mas atenção, vai perceber que a insatisfação é muito maior na periferia, do que em áreas mais centrais. Ou seja, ninguém gosta de morar em bairros afastados de  cidades como Marituba, porque os problemas urbanos que insistem em existir no centro, são muito maiores nessas regiões.

Ou seja, o preço no centro, mesmo com todas as reclamações é maior, porque é melhor estar em um local que tenha alguma coisa, do que em terra que não tenha nada no que se refere aqueles componentes que revelaram a pesquisa. Se houvesse mais equilíbrio entre centro e periferia, seria muito confortável não precisar se apertar em dois ou três bairros  de Belém. Se teria mais qualidade de vida e preços mais similares.

Resumindo a análise, parte dos altos valores cobrados pelo mercado imobiliário se dá justamente, pela falta do planejamento urbano. O mercado aposta em alguns bairros do centro, que tem tamanho restrito (lembre-se que a cidade é uma península)  porque o consumidor quer tentar aproveitar a melhor qualidade de vida disponível no espaço urbano.

Imagine se as ilhas no entorno de Belém pudessem ser ocupadas com moradias e transporte de barcas até o continente, como existem nos Estados Unidos? Ia ter fila pra fugir do stress do trânsito em busca de um paraíso existente, mas ainda tão distante . Pensar a cidade como um todo pode ser um caminho para se conseguir as respostas que se procura.